Após mais de 40 anos de trajetória artística e reconhecimento no Brasil e no exterior, a artista Fani Bracher retorna ao Museu da Inconfidência com a exposição inédita Pele e Osso. A mostra será inaugurada no dia 13 de março, em Ouro Preto, reunindo um conjunto de obras recentes que aprofundam sua pesquisa com materiais têxteis e técnicas mistas.
Esta é a segunda exposição individual da artista no Museu desde sua primeira participação, em 1988. A realização da mostra no mês dedicado à valorização das mulheres reforça o compromisso institucional com o reconhecimento do protagonismo feminino na história, na cultura e nas artes, em diálogo com os desafios contemporâneos ainda presentes nesse campo.
Em Pele e Osso, Fani Bracher explora territórios liminares entre pintura, objeto e têxtil. As obras tensionam os limites entre técnica, suporte e linguagem, construindo uma poética material que investiga o corpo como fronteira simbólica, o tempo como marca sensível e a permanência como gesto artístico. Linhas, panos, agulhas e retalhos são utilizados não apenas como materiais, mas como extensões do pensamento e da memória.
A artista descreve seu processo criativo como intuitivo e aberto ao acaso. “Sei como começo e nunca sei como termino. A agulha me guia e a linha segue”, afirma. Para Fani, a linha atravessa sua produção e seus afetos, conectando referências literárias e musicais, como o conto A agulha e a linha, de Machado de Assis, e a canção A Linha e o Linho, de Gilberto Gil, que ecoam simbolicamente em seu fazer artístico.
Com curadoria de Carla Cruz e expografia de Rachel Falcão, a exposição reúne obras desenvolvidas a partir de bordado, pintura e assemblages. Segundo a curadora, a pele, nas obras de Fani, ultrapassa o limite físico e se afirma como fronteira do ser. Cada ponto e cada costura revelam a passagem do tempo e a tentativa de permanência diante da fragilidade da matéria e da existência.
Radicada em Ouro Preto desde o início de sua trajetória artística, Fani Bracher destaca a importância do Museu da Inconfidência em sua formação e celebra o retorno à instituição, considerada por ela parte fundamental da paisagem cultural e histórica da cidade.
Nascida em Coronel Pacheco (MG), a artista iniciou sua carreira em 1973, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e realizou estudos na Europa, com passagens por Portugal e França. Ao longo da carreira, participou de exposições nas Américas, Europa e Ásia, realizou mais de 30 mostras individuais, recebeu 14 prêmios e teve obras publicadas em dezenas de livros de arte. Nos últimos anos, sua produção tem se concentrado no uso de linhas e tecidos, em busca de uma linguagem mais intimista e sensível, em contraponto aos excessos da contemporaneidade midiática.
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