O Brasil liderou, na última semana, o interesse mundial por informações sobre mpox, de acordo com dados do Google Trends. O volume de pesquisas superou o de outras enfermidades e foi três vezes maior do que o de gripe e cinco vezes superior ao de dengue.
Em fevereiro, as buscas atingiram o pico. O tema já havia registrado forte interesse em 2022, quando o país confirmou a oitava morte pela doença e passou a concentrar o maior número de óbitos no surto global daquele ano. Naquele período, o Brasil também enfrentou o maior volume de transmissão, com cerca de 10 mil casos registrados.
Em 2024, a Organização Mundial da Saúde decidiu manter o nível máximo de alerta para a epidemia de mpox no mundo, o que voltou a impulsionar a atenção pública.
Desde o início de 2026, o Brasil contabiliza 88 casos da doença, a maioria em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, não há registro de mortes neste ano, e os quadros têm sido, em geral, leves ou moderados. Entre 1º de janeiro e 20 de fevereiro, houve redução de 64% nos casos em comparação ao mesmo período do ano passado.
A seguir, veja as respostas para as perguntas mais buscadas:
O que é mpox?
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus mpox, anteriormente chamado de “vírus da varíola dos macacos”. A mudança de nome foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde no fim de 2022, com o objetivo de reduzir estigmas e padronizar a nomenclatura internacionalmente.
O vírus foi identificado pela primeira vez em 1958, na Dinamarca, em primatas levados da África para pesquisa. Após a erradicação da varíola humana, em 1980, a mpox passou a ocorrer de forma endêmica em regiões da África Central, Oriental e Ocidental.
Mpox tem cura?
Sim. Na maioria dos casos, a evolução é de cura espontânea. Especialistas explicam que o tratamento costuma ser voltado ao alívio dos sintomas e ao monitoramento de possíveis complicações.
O risco de quadros graves é maior em pessoas com imunossupressão — como pacientes com HIV avançado, pessoas em tratamento oncológico ou com outras condições que afetam o sistema imunológico.
Existe vacina?
Sim, há vacina disponível, mas não há indicação de vacinação em massa neste momento.
O Ministério da Saúde informa que o Sistema Único de Saúde (SUS) está preparado para diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, além de rastreamento de contatos.
A vacina tem sido direcionada a grupos prioritários, como: Pessoas vivendo com HIV/Aids com baixa imunidade; Usuários de PrEP; Profissionais de saúde que atendem casos suspeitos ou confirmados; Trabalhadores de laboratório que manipulam o vírus; Vacinação pós-exposição em situações específicas. A eficácia estimada é de aproximadamente 80%.
Como a mpox é transmitida?
A principal forma de transmissão é o contato próximo entre pessoas. O vírus pode ser transmitido por: Contato pele a pele; Contato boca a boca ou boca a pele; Relações sexuais; Proximidade prolongada, como conversar muito perto de alguém infectado; Contato com materiais contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
A transmissão por animais é possível, mas, em áreas urbanas, o mais comum é a disseminação de pessoa para pessoa.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais incluem: Febre; Dor de cabeça; Dores no corpo; Cansaço; Aumento dos linfonodos (ínguas).
Na fase eruptiva, podem surgir lesões na pele, que aparecem na face, região genital, área perianal, palmas das mãos, plantas dos pés e mucosas.
Mpox pode matar?
Pode, mas o risco é considerado baixo na população geral. As formas graves são mais frequentes em pessoas com imunidade comprometida. Em 2022, o Brasil confirmou a primeira morte pela doença — à época chamada de varíola dos macacos — em um paciente com comorbidades e baixa imunidade.
Mpox é varíola?
Não. Embora pertençam à mesma família de vírus, a mpox não é a mesma doença que a varíola humana, que foi declarada erradicada em 1980 após uma campanha global de vacinação.
Como prevenir?
As principais medidas de prevenção são: Evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença; Não compartilhar objetos pessoais; Manter higiene frequente das mãos; Procurar atendimento médico em caso de sintomas ou contato próximo com casos confirmados; Seguir orientações de isolamento quando indicado.
Mpox pode virar pandemia?
Especialistas avaliam que é pouco provável que a mpox se torne uma pandemia nos moldes da Covid-19, principalmente porque não é uma doença de transmissão aérea ampla. O cenário mais esperado é o surgimento de surtos localizados em diferentes regiões do mundo, como já ocorreu recentemente em países africanos.
Apesar do aumento nas buscas, autoridades sanitárias reforçam que o Brasil não vive uma situação de crise no momento. Ainda assim, a orientação é manter atenção aos sintomas e buscar informação em fontes oficiais.
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