A concessão das rodovias BR-356, MG-262 e MG-329 ao Consórcio Rota da Liberdade, apresentada pelo Governo de Minas como uma solução histórica para os problemas de infraestrutura da região, já começa cercada de críticas, desconfiança e cobranças por parte de lideranças políticas e da população atingida pelas futuras obras.
Durante reunião realizada na terça-feira (26), na Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), prefeitos, vereadores, deputados e representantes regionais questionaram a demora nas primeiras intervenções, a falta de transparência sobre desapropriações e a ausência de informações objetivas para moradores e comerciantes que poderão ser diretamente afetados pela duplicação das rodovias.
A audiência, requerida pelo deputado estadual Adriano Alvarenga, reuniu representantes do Consórcio Rota da Liberdade, responsável pela administração de 190 quilômetros de rodovias entre Belo Horizonte e Rio Casca, além de autoridades de municípios impactados pela concessão.
O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, demonstrou preocupação com famílias e empresas instaladas às margens da BR-356, especialmente em regiões urbanas consolidadas há décadas.
“Nossa maior preocupação é com as pessoas que vivem às margens da rodovia há mais de 30 anos e ainda não sabem como ficarão suas situações diante das obras”, afirmou.
O gestor também criticou a ausência de um cronograma claro das intervenções e cobrou medidas emergenciais de segurança em pontos considerados críticos da estrada, como trechos próximos ao antigo Posto Texaco e ao Posto João Ramos Filho, onde há riscos estruturais e registros frequentes de acidentes.
Outro ponto que provocou forte reação das autoridades foi a implantação de quatro praças de pedágio previstas em Ouro Preto, Itabirito, Ponte Nova e Rio Casca. Para lideranças regionais, a população teme pagar tarifas elevadas antes mesmo de perceber melhorias efetivas nas rodovias.
O deputado Noraldino Júnior também criticou a postura inicial da concessionária e afirmou que a primeira impressão deixada pela empresa foi negativa. Já o ex-prefeito de Mariana e ex-deputado federal Duarte Gonçalves Júnior reclamou da falta de diálogo com os moradores atingidos pelas futuras desapropriações.
Na reunião, vereadores da região também cobraram maior participação institucional nas decisões relacionadas às obras. O vereador Ítalo de Oliveira defendeu a abertura imediata de canais permanentes de diálogo entre concessionária, população e autoridades locais. Já o vereador Alex Brito anunciou a criação de uma comissão especial na Câmara Municipal de Ouro Preto para acompanhar os impactos da duplicação e o processo de indenizações.
Representando o consórcio, o diretor de relações institucionais, Marconi Peixoto Zanon, afirmou que a empresa assumiu oficialmente a concessão apenas em março deste ano e que ainda executa o chamado “plano de 100 dias”, focado em roçada, tapa-buracos e recuperação emergencial da trafegabilidade.
Apesar das justificativas, o sentimento predominante na audiência foi de cobrança e desconfiança diante da lentidão dos serviços iniciais e da ausência de definições concretas sobre os impactos sociais das obras.
Outro fator que chamou atenção foi a confirmação de que as obras de duplicação da BR-356 só devem começar efetivamente em 2029. Segundo a Agência Reguladora de Transportes de Minas Gerais (Artemig), a conclusão integral da duplicação está prevista apenas para 2032.
Enquanto isso, moradores seguem convivendo com buracos, insegurança, risco de acidentes e incertezas sobre o futuro de suas propriedades. A promessa de modernização da malha viária ainda parece distante da realidade enfrentada diariamente por quem depende das rodovias da Região dos Inconfidentes.
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