Ouro Preto foi palco, nos dias 24 e 25 de julho, de uma programação que aproximou arte, tecnologia, memória e ancestralidade. Em sua sexta edição, o MARTE Festival 2026 reuniu artistas, pesquisadores, pensadores e público em torno do tema “O Futuro é Ancestral”, propondo reflexões sobre os múltiplos futuros possíveis a partir das perspectivas do Sul Global.
A programação teve início na sexta-feira (24), com o tradicional cortejo da Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, seguido pelos shows de Djuena Tikuna, Assucena, Otros Aires, da Argentina, e Metá Metá. A noite também contou com a performance aérea da Cia. Base Vertical, que ocupou o céu da Praça Tiradentes com o espetáculo “Homem Gaiola”, integrado a uma projeção de mapping a laser.
Paralelamente às apresentações artísticas, o MARTE Lab promoveu conferências e painéis com pesquisadores, artistas e especialistas. Os encontros abordaram temas como espiritualidade, inteligência artificial, racismo algorítmico, patrimônio cultural, criação musical, memória, cultura digital e os desafios enfrentados pela produção artística contemporânea.
Na tarde de sexta-feira, as fortes chuvas que atingiram Ouro Preto interromperam uma das atividades do MARTE Lab e provocaram o adiamento do início da programação artística por questões de segurança. Apesar das condições climáticas, todos os shows previstos foram realizados. O debate que precisou ser interrompido será disponibilizado em formato on-line a partir de 31 de julho, permitindo ao público acompanhar integralmente o conteúdo previsto.
No sábado (25), o festival prosseguiu com apresentações de Estela Ceregatti, Catalina Telerman, da Argentina, Purahéi Soul, do Paraguai, Craca & Sandra X, Faizal Mostrixx, de Uganda, e Félix Robatto. A programação promoveu encontros entre diferentes expressões musicais e artísticas da América Latina e da África.
A Cia. Base Vertical voltou a se apresentar no sábado, novamente com o espetáculo “Homem Gaiola” integrado ao mapping. O público também participou de uma caminhada performática conduzida por Marcelino Xibil e Lalai Persson, que propôs uma nova experiência da cidade a partir das relações entre território, corpo e memória.
Outro destaque da programação foi a parceria entre o MARTE Festival e a União Brasileira de Compositores (UBC). Os encontros reuniram compositores, artistas, gestores e profissionais do setor para discutir os desafios e as oportunidades da música no contexto latino-americano, com temas relacionados à circulação de artistas, direitos autorais, processos de criação e cooperação regional.
Mais do que reunir espetáculos e debates, o MARTE Festival consolidou sua proposta de funcionar como um espaço de pensamento, experimentação e intercâmbio internacional. A iniciativa ampliou a discussão sobre inovação ao propor uma compreensão mais abrangente da tecnologia, não limitada ao desenvolvimento digital, mas relacionada também ao conceito de téchne — o saber-fazer, a criação e a capacidade humana de transformar o mundo.
A escolha de Ouro Preto como sede do festival reforçou essa perspectiva. A cidade histórica foi construída a partir da combinação de conhecimentos técnicos, artísticos e construtivos desenvolvidos ao longo de séculos. Nesse contexto, o MARTE propôs uma reflexão em que memória e futuro não aparecem como conceitos opostos, mas como dimensões complementares de uma mesma trajetória.
Com milhares de participantes, artistas de seis países e dezenas de atividades gratuitas, o MARTE Festival 2026 encerrou sua sexta edição reafirmando seu espaço no calendário cultural brasileiro e fortalecendo o diálogo entre arte, cultura, tecnologia e pensamento contemporâneo.
O conteúdo do debate interrompido pelas condições climáticas será disponibilizado on-line a partir de 31 de julho, garantindo ao público acesso à programação do MARTE Lab que não pôde ser concluída presencialmente.
O MARTE Festival é realizado pela Ultra Music, em coautoria com a Casa 29 Produtora e a Atma Music, com patrocínio da Claro. O evento conta com apoio da Prefeitura de Ouro Preto e da União Brasileira de Compositores (UBC) e é viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e pela Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, com recursos do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Foto: Ane Souz / Divulgação