“Sala da Vida Privada” reúne obras contemporâneas e peças do acervo histórico para provocar reflexões sobre gênero, memória, cotidiano e os espaços ocupados pelas mulheres.
O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, completa 82 anos em 2026 e celebra a trajetória com uma exposição que aproxima história e arte contemporânea. A partir de 5 de setembro, a instituição recebe a mostra “Sala da Vida Privada”, que permanece em cartaz até 8 de novembro, na Galeria Manoel da Costa Ataíde.
A exposição reúne obras das artistas Carol Ambrósio, Poliana Toussaint e Tathyana Santiago em diálogo com objetos do acervo do museu relacionados à vida social e privada no Brasil-Colônia. A proposta é provocar uma reflexão sobre a presença das mulheres na história e sobre como objetos e espaços domésticos também podem revelar relações de poder, identidade e gênero.
Inaugurado em 1944, na Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência se tornou uma das instituições culturais mais importantes do país. Atualmente, recebe cerca de 350 mil visitantes por ano e mantém um papel de destaque na preservação e interpretação da memória histórica brasileira.
Arte contemporânea encontra a memória histórica
Idealizada pela curadora do Museu da Inconfidência, Carla Farias Cruz, a mostra estabelece conexões entre a produção de três artistas contemporâneas e a trajetória de mulheres que marcaram a história do período colonial e do Brasil do século XVIII e XIX.
Entre elas estão Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo e Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, tradicionalmente conhecida como a musa Marília, de Marília de Dirceu.
A escolha das artistas e dos objetos históricos busca ampliar a compreensão sobre o papel desempenhado pelas mulheres e questionar narrativas construídas ao longo do tempo.
Objetos que contam outras histórias
A exposição dá continuidade ao projeto “Este Objeto, o que ele nos fala?”, desenvolvido pelo museu a partir das discussões sobre gênero e seus desdobramentos contemporâneos.
Na mostra, peças do acervo deixam de ser vistas apenas como objetos que representam determinado período histórico. Em contato com as obras contemporâneas, passam a ser interpretadas como elementos capazes de revelar relações sociais, comportamentos e diferentes formas de construção da identidade.
A iniciativa está alinhada ao Plano Museológico 2025-2029 do Museu da Inconfidência, que estabelece entre suas diretrizes a discussão sobre questões de gênero, arte contemporânea, impactos sociais e culturais e a revisão de narrativas relacionadas à formação da identidade nacional.
Museu como espaço de diálogo
A pesquisa histórica sobre os objetos que integram a exposição é assinada pela pesquisadora Viviane Soares Aguiar, pós-doutoranda do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).
A mostra tem coordenação institucional, seleção de obras e texto curatorial de Carla Farias Cruz, além do apoio da WG Galeria.
Ao completar 82 anos, o Museu da Inconfidência reafirma seu papel não apenas como guardião da memória, mas também como espaço de reflexão sobre o presente.
“Sala da Vida Privada” propõe justamente esse encontro: colocar passado e contemporaneidade frente a frente para revelar novas perspectivas sobre as mulheres, seus espaços, suas histórias e a construção da sociedade brasileira.
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