A Samarco vem ampliando a produção de mudas e a coleta de sementes nativas como parte das ações de reparação e compensação ambiental previstas no Novo Acordo do Rio Doce. A iniciativa busca apoiar a recuperação de áreas da Mata Atlântica em Minas Gerais e no Espírito Santo, combinando restauração ecológica, conservação da biodiversidade e participação de comunidades locais.
Em Ouro Preto (MG), um dos principais polos dessa estratégia é o Centro de Desenvolvimento Ambiental, Social e Florestal (Cedasf), instalado na Vila Residencial Antônio Pereira. Criado em 2019, o viveiro alcançou, em 2026, capacidade superior a 300 mil mudas por ano e já produziu aproximadamente 1 milhão de mudas desde o início das atividades.
Somente entre 2025 e 2026, foram produzidas mais de 500 mil mudas de espécies nativas da Bacia do Rio Doce. Entre as espécies mais procuradas para doação estão ipês e quaresmeiras.
Mudas são destinadas a projetos de restauração e compensação
A produção do Cedasf é utilizada em diferentes frentes ambientais, incluindo plantios compensatórios vinculados à Licença de Operação Corretiva (LOC), ações reparatórias e campanhas de educação ambiental, além de doações para moradores e instituições, como a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Segundo as informações divulgadas pela empresa, aproximadamente 1,9 mil hectares estão relacionados a plantios vinculados às licenças ambientais da Samarco. Parte dessas áreas está localizada nas proximidades de unidades de conservação, como os parques estaduais da Serra do Brigadeiro e do Itacolomi.
Para o analista de Meio Ambiente e responsável pelo Cedasf, Ezequiel Faria, o viveiro desempenha papel estratégico na recuperação ambiental da Bacia do Rio Doce.
“A cada muda produzida aqui, contribuímos para reparar, compensar e reflorestar áreas da região, priorizando espécies nativas, muitas delas ameaçadas de extinção”, destaca.
Além da produção vegetal, o espaço também é utilizado em atividades de educação ambiental, aproximando a comunidade dos processos de recuperação e conservação da vegetação nativa.
Produção também contempla áreas de manguezal no Espírito Santo
No distrito de Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco mantém uma frente específica para a produção de espécies de mangue. O trabalho contempla o cultivo de mangue-branco (Laguncularia racemosa) e mangue-preto (Avicennia schaueriana).
A produção atende a uma condicionante estabelecida pelo Ibama, que prevê o plantio de 14 hectares em área limítrofe a uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
A meta estabelecida pela empresa é produzir 14 mil mudas até meados de 2027, contribuindo para a recomposição da vegetação característica desses ambientes costeiros.
Rede Rio Doce reúne sementes de 354 espécies
A produção das mudas também depende de uma cadeia estruturada para a coleta e disponibilização de sementes nativas. Nesse contexto, a Rede Rio Doce de Sementes e Mudas atua como fornecedora de parte do material utilizado nos projetos de restauração.
A iniciativa já contabiliza mais de 185 toneladas de sementes nativas da Mata Atlântica coletadas desde o início das atividades em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Atualmente, a Rede reúne aproximadamente 1.250 coletores ativos, distribuídos em 33 núcleos nos dois estados. O banco de sementes conta com 354 espécies da Mata Atlântica, destinadas à semeadura direta, à produção de mudas e à recuperação de áreas degradadas.
Desde a criação da iniciativa, cerca de R$ 16,4 milhões foram destinados aos coletores de sementes, segundo a Samarco. O recurso também contribui para a geração de renda e para a valorização dos conhecimentos das comunidades envolvidas na coleta.
Rede amplia participação de comunidades em Minas e no Espírito Santo
Em 2026, a Rede Rio Doce de Sementes ampliou sua atuação em Minas Gerais com a participação da Aldeia Indígena Mirueira Pataxó, em Guanhães, além da inclusão de três assentamentos rurais em Jampruca e da retomada das atividades de um núcleo em Nacip Raydan.
Em Jampruca, o Núcleo Maritacas passou de 10 participantes, em 2022, para 47 coletores ativos em 2026. A expectativa é que o grupo entregue aproximadamente seis toneladas de sementes ao longo deste ano.
No Espírito Santo, a Rede atua nos municípios de Alto Rio Novo e Linhares. Em Alto Rio Novo, a mobilização da Associação de Coletores de Sementes Nativas elevou o volume coletado de 3 toneladas em 2025 para uma previsão de 10,5 toneladas em 2026.
Restauração combina conservação e geração de renda
De acordo com o analista de Meio Ambiente da Samarco, Antônio Sergio Cardoso Filho, a atuação da Rede demonstra a importância da participação das comunidades nos processos de restauração ambiental.
Segundo ele, a coleta de sementes contribui simultaneamente para a recuperação da vegetação nativa, a conservação da biodiversidade, a geração de renda e a valorização do conhecimento das populações que participam da iniciativa.
Com a ampliação da produção de mudas e da coleta de sementes, a Samarco busca fortalecer a cadeia de restauração ambiental na Bacia do Rio Doce, utilizando espécies nativas e envolvendo comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo nas diferentes etapas do processo.
As ações integram uma estratégia mais ampla de recuperação de áreas degradadas e de recomposição da vegetação, com iniciativas que associam restauração ecológica, conservação da Mata Atlântica, educação ambiental e participação comunitária.
Foto: Samarco / Divulgação