PaLavras – Festival de Literatura e Artes reúne programação gratuita até 23 de outubro, com Fórum das Letras, shows, exposições, encontros científicos e atividades culturais que celebram a trajetória de uma das instituições históricas de ensino de Minas Gerais.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) celebra os 150 anos da Escola de Minas com uma programação especial que integra conhecimento científico, literatura, música, artes visuais e manifestações da cultura popular. Entre os dias 10 e 23 de outubro, Ouro Preto e Mariana recebem o PaLavras – Festival de Literatura e Artes, iniciativa que destaca a contribuição da instituição para o desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil.
Fundada em 1876, em Ouro Preto, a Escola de Minas construiu uma trajetória marcada pela formação de engenheiros, pesquisadores e profissionais, além da produção de conhecimento nas áreas de geologia, mineração, metalurgia e tecnologia. As comemorações do sesquicentenário buscam valorizar esse legado e ampliar o diálogo entre a universidade, as comunidades e o patrimônio histórico e cultural da região.
A programação reúne atrações como a 21ª edição do Fórum das Letras da UFOP, o espetáculo Viver de Poesia, com a atriz e poeta Elisa Lucinda, e a apresentação da Orquestra Ouro Preto com Beatles: Um Concerto do Sesquicentenário. Também estão previstos encontros com escritores, pesquisadores e intelectuais, exposições artísticas, atividades educativas e iniciativas dedicadas à preservação da memória institucional.
Festival une palavras, saberes e tradições
O nome PaLavras combina os termos “palavra” e “lavra”, estabelecendo uma relação entre a expressão artística e a atividade historicamente associada à mineração. A proposta é explorar histórias, personagens e conhecimentos por meio de diferentes linguagens, tendo a própria Escola de Minas como tema central da primeira edição.
Ao longo da programação, o público poderá conhecer aspectos da história da instituição e suas conexões com a ciência, a educação, o patrimônio e a cultura mineira. A iniciativa também busca aproximar as comemorações acadêmicas das tradições populares e das experiências culturais que fazem parte da identidade de Ouro Preto e Mariana.
Escola de Minas: um século e meio de contribuição científica
Criada em 1876, a Escola de Minas surgiu com a proposta de ampliar o conhecimento sobre as riquezas minerais brasileiras e fortalecer o ensino científico e tecnológico no país. A instituição teve papel relevante na formação de especialistas e no desenvolvimento de áreas estratégicas para a economia e a pesquisa nacional.
Parte dessa história está preservada em documentos, livros raros, instrumentos, equipamentos e coleções científicas. O Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas reúne mais de 30 mil amostras mineralógicas, além de outros acervos que ajudam a compreender a evolução da ciência, da engenharia e da mineração no Brasil.
A valorização desse patrimônio integra as atividades comemorativas, que apresentam ao público diferentes perspectivas sobre a contribuição da instituição ao longo de 150 anos.
Cultura popular e música marcam a programação em Ouro Preto
As atividades começaram no dia 10 de outubro, com a Ciranda do Sesquicentenário, realizada no Largo do Cinema, em Ouro Preto. A programação incluiu a Feira de Saberes e Fazeres e a Roda de Samba do Sesquicentenário, com participação do Zé Pereira dos Lacaios e do Bloco Zé Bastião.
A presença do Zé Pereira dos Lacaios ganha destaque por coincidir com os 160 anos de história do grupo, cuja trajetória está ligada ao Palácio dos Governadores, sede histórica da Escola de Minas.
No dia 11 de outubro, a Praça Tiradentes recebeu a homenagem “Um Toque para a Escola de Minas”, com apresentações da Banda Marcial Democrática de Ouro Preto, da Banda do Alto da Cruz e da Banda do Rosário. A programação da data também contou com a Orquestra Ouro Preto, que apresentou Beatles: Um Concerto do Sesquicentenário.
Encontro aborda influência francesa na formação brasileira
A programação do dia 13 de outubro inclui a Jornada do Sesquicentenário “A Presença Francesa no Brasil”, no auditório da Escola de Minas, instalado no antigo Palácio dos Governadores.
O encontro reúne Godofredo de Oliveira Neto, Ângelo Oswaldo, Júnia Furtado, Luciano Figueiredo, Paulo Rezzutti e Uoster Zielinski para discutir as relações históricas entre França e Brasil, considerando aspectos científicos, literários, culturais e educacionais.
Os debates abordam a circulação de ideias entre os dois países e o contexto intelectual do século XIX, período relacionado à criação da Escola de Minas pelo cientista francês Claude-Henri Gorceix.
Fórum das Letras homenageia João Guimarães Rosa
Também no dia 13 de outubro, tem início a 21ª edição do Fórum das Letras da UFOP, com o tema “Do mundo e de Minas Gerais”. Nesta edição, o evento homenageia João Guimarães Rosa pelos 70 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile.
Até o dia 22 de outubro, escritores, pesquisadores, artistas, editores, tradutores e ilustradores participam de debates, encontros literários, exposições, sessões de cinema e atividades de formação de leitores. A programação contempla também professores e estudantes da educação básica, com ações voltadas ao incentivo à leitura.
Na abertura, a Casa da Ópera, em Ouro Preto, recebe Elisa Lucinda com o espetáculo Viver de Poesia, que destaca a literatura e a interpretação como formas de expressão artística.
Exposições exploram o sertão e a identidade mineira
A literatura de Guimarães Rosa também inspira exposições de artes visuais. No Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto, o conceito curatorial “O Sertão é Dentro da Gente” orienta as mostras Travessias entre o Ser-Tão e o Ser-Gerais, de Germano Neto, e Os Minas: O Sertão é do Tamanho do Mundo, desenvolvida a partir do acervo e das pesquisas de Spírito Santo.
Em Mariana, o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) recebe a exposição O Sertão-mundo de Guimarães Rosa, com curadoria de Mônica Gama e fotografias de Maureen Bisilliat e Germano Neto.
A programação inclui ainda, na Galeria Nello Nuno, da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), a mostra Terras Brutas, Cores do Sertão Gerais – Homenagem aos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, do artista visual Marcos A. Luiz.
As exposições estabelecem conexões entre literatura, paisagem, identidade regional e memória, ampliando as possibilidades de interpretação da obra de Guimarães Rosa.
Memória institucional e formação das novas gerações
A história da Escola de Minas é apresentada em diferentes exposições. Na Fundação Gorceix, a mostra Com a Mente e o Martelo – Histórias e pessoas nos 150 anos da Escola de Minas de Ouro Preto reúne documentos inéditos, livros raros, retratos de personalidades e esculturas caricaturais do artista Felipe Soares.
Já a exposição Casa de Gorceix apresenta miniaturas caricatas produzidas pelo artista mineiro Marcos Prata e livros da Casa, com circulação entre Ouro Preto e Mariana. A mostra Escola de Minas – Memórias e Afetos, por sua vez, reúne depoimentos e registros audiovisuais de ex-alunos, professores e funcionários.
Entre os dias 19 e 23 de outubro, o projeto Caminhos de Gorceix – Engenheiros do Amanhã – Gerdau aproxima estudantes de Ouro Preto do universo da Engenharia, relacionando a trajetória da instituição aos desafios da formação profissional e às perspectivas das novas gerações.
Programação valoriza o legado da instituição
O PaLavras – Festival de Literatura e Artes integra as comemorações dos 150 anos da Escola de Minas e destaca a importância da instituição para a história científica, educacional e cultural de Minas Gerais.
Ao promover atividades gratuitas em Ouro Preto e Mariana, o festival amplia o acesso à produção artística e ao conhecimento, valoriza as tradições regionais e fortalece a relação entre universidade e sociedade.
A celebração também representa uma oportunidade de revisitar o passado, reconhecer as contribuições da Escola de Minas e refletir sobre o papel da ciência, da educação e da cultura na construção do futuro.
Foto: Márcio Luiz / Divulgação