Ouro Preto poderá ganhar um novo sistema de transporte urbano sobre trilhos, com a implantação de um bondinho para conectar a Praça da Estação ao campus Morro do Cruzeiro da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A proposta prevê uma ligação entre a região central e a área universitária, utilizando um sistema de plano inclinado para superar o acentuado desnível geográfico característico da cidade histórica.
Segundo informações divulgadas pela Samarco, foram destinados R$ 20 milhões para a iniciativa. O montante integra o Termo de Contrapartidas do Projeto Longo Prazo, firmado entre a mineradora e a Prefeitura de Ouro Preto, cujo valor total é de R$ 80 milhões.
De acordo com as informações apresentadas, a administração municipal optou por priorizar a implantação do equipamento e ficará responsável pelas etapas de detalhamento técnico, elaboração do cronograma, contratação e execução da obra.
O traçado preliminar prevê que o bondinho saia da Praça da Estação, passe pela lateral da Vila Aparecida e conte com uma parada intermediária nas proximidades da Casa dos Inconfidentes, seguindo em direção ao campus Morro do Cruzeiro da UFOP. A proposta busca facilitar o deslocamento de moradores, estudantes, servidores e visitantes entre diferentes regiões do município.
O modelo previsto é o de plano inclinado, sistema de transporte no qual veículos circulam sobre trilhos instalados em uma encosta, utilizando mecanismos específicos para vencer grandes diferenças de altitude. Como referência técnica, a Prefeitura menciona o Plano Inclinado Gonçalves, localizado em Salvador, na Bahia.
A possibilidade de implantação desse sistema já havia sido apresentada pela administração municipal em setembro de 2025, quando representantes da Prefeitura estiveram na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para discutir alternativas de investimentos em mobilidade urbana. Na ocasião, o município apresentou uma proposta de conexão entre a região da Barra e o Morro do Cruzeiro.
Por se tratar de uma intervenção em uma cidade reconhecida pelo seu patrimônio histórico e cultural, o projeto ainda deverá passar pela avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), etapa importante para verificar sua compatibilidade com as características urbanísticas, paisagísticas e patrimoniais de Ouro Preto.
Até o momento, não foram divulgadas datas para o início das obras, tampouco previsão para a conclusão e entrada em operação do sistema.
Mobilidade e preservação histórica
A proposta abre uma nova perspectiva para a mobilidade urbana de Ouro Preto, especialmente diante dos desafios impostos pela topografia, pelo crescimento da circulação de veículos e pela necessidade de alternativas de deslocamento entre o Centro Histórico e regiões de grande concentração de estudantes e trabalhadores.
Entretanto, a implantação exigirá planejamento técnico rigoroso, estudos de viabilidade, avaliação dos impactos sobre o patrimônio histórico, definição dos custos de manutenção e operação e transparência na aplicação dos recursos.
Mais do que construir um novo equipamento turístico ou de transporte, o desafio será garantir que o bondinho funcione como uma alternativa efetiva de mobilidade, com acessibilidade, segurança, integração ao transporte coletivo e benefícios concretos para a população.
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